Como montar a lista de uma reportagem em forma de lista

POR LEONARDO PUJOL

Como montar a lista de uma reportagem em forma de… lista? Para ilustrar, cito a reportagem de capa da revista Superinteressante de agosto, assinada por Emanuel Neves, Fernanda La Cruz e eu. O objetivo era listar mentiras ou meias-verdades vendidas pelos supermercados.

Reportagem em forma de lista: como fazer, segundo a República – Agência de Conteúdo. (Arte: Reprodução/Juliana Caro)

A partir da pauta, começamos o levantamento de potenciais itens. Fizemos uma primeira reunião, com a presença de toda a equipe da República, para debater o assunto. Na ocasião, aproveitamos para anotar os produtos potencialmente “suspeitos” que cada um sabia de cabeça. Três semanas depois, repetimos o encontro – cada pessoa trazendo novas sugestões. 

Isto feito, um dos repórteres foi destacado para mergulhar no tema. Ele levou cerca de três dias entre livros, sites, pesquisadores e visitas ao supermercado para formar uma lista prévia. Os itens foram categorizados conforme o nome (do produto) e a hipótese. Ao fim da apuração, mais de 60 itens foram distribuídos em três linhas de raciocínio: 

– Parece, mas não é: produtos que se vendem como uma coisa, mas na prática são outra.

– Não faz diferença: produtos com diferenciais aparentemente relevantes, mas que não fazem a menor diferença ao consumidor.

– Forçando a barra: produtos que supervalorizam alguma característica específica.

Para evitar ruídos na triagem, apenas os jornalistas mais experientes da agência e o repórter destacado decidiram o que poderia ou não entrar na reportagem em forma de lista. Com a experiência de quem escreve há anos para a Super, uma revista de ciência, comportamento e curiosidades, nosso filtro deveria considerar o que era bacana, o que chamava atenção, o que era mais popular e, mais importante, o que “parava em pé” – ou seja, o que se sustentaria com base em dados e estudos técnicos.

A lista elaborada foi enviada a um dos editores da revista. A maioria dos itens foram aprovados de primeira. Outros careceram de nova checagem. Por fim, decidiu-se que a lista teria 20 itens.

A partir dali, era hora de uma nova rodada de apuração. A etapa incluiu leituras e entrevistas até que, finalmente, os repórteres tivessem subsídio suficiente para bater os textos. Mas isso é assunto para um próximo post. 

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